Base · Metodologia
Como decidimos o que publicar
Esta página explica como classificamos orientação política,
como tratamos correlação versus causalidade, qual é nossa
hierarquia de fontes, e o que fazemos quando dados oficiais
conflitam. Nosso compromisso é que você possa contestar
qualquer número e encontrar como ele foi calculado.
01 · Critério
Hierarquia de fontes
Toda informação no Bate Recorde segue uma hierarquia estrita.
Quando há conflito, prevalece o nível mais alto. Quanto mais
próxima da fonte primária, mais auditável é a informação — e
auditabilidade é, para nós, condição de publicação.
- Microdados públicos — IBGE PNAD, IPEA Data, BACEN SGS, INPE TerraBrasilis. Onde possível, baixamos a tabela bruta.
- Publicações oficiais consolidadas — relatórios anuais de ministérios, autarquias e órgãos de controle (TCU, CGU).
- Estudos peer-reviewed brasileiros — IPEA Texto para Discussão, FGV/EPGE, USP/FEA, UFRJ/IE, UFMG/Cedeplar.
- Estudos peer-reviewed internacionais — Banco Mundial, OCDE, FMI, World Inequality Lab, NBER quando aplicável.
- Reportagens jornalísticas — somente quando trazem o link para o nível 1 ou 2 e nós checamos o número original.
- Nunca blogs sem link primário, posts em redes sociais, ou "fonte: especialista ouvido pelo Bate Recorde".
02 · Critério
Classificação de orientação política
Classificamos governos pela coalizão eleitoral e
plataforma de governo, não pela filiação partidária
individual do presidente. Coalizões mudam de tom; rótulos
partidários, não. O critério: para onde o governo se orientou
enquanto governou, à luz dos partidos que sustentaram a
maioria parlamentar e da agenda implementada.
| Período |
Presidente |
Classificação |
| 1985–1990 |
José Sarney |
centro-direita |
| 1990–1992 |
Fernando Collor |
direita |
| 1992–1994 |
Itamar Franco |
centro |
| 1995–2002 |
Fernando Henrique Cardoso |
centro-direita |
| 2003–2010 |
Luiz Inácio Lula da Silva (1, 2) |
centro-esquerda |
| 2011–2016 |
Dilma Rousseff (1, 2) |
centro-esquerda |
| 2016–2018 |
Michel Temer |
centro-direita |
| 2019–2022 |
Jair Bolsonaro |
direita |
| 2023– |
Luiz Inácio Lula da Silva (3) |
centro-esquerda |
Toda classificação é discutível. Lula 1 começou com agenda
claramente de centro (Carta ao Povo Brasileiro, manutenção do
tripé macroeconômico) e migrou para a centro-esquerda. FHC
governou com coalizão ampla e implementou agenda de mercado
com programas sociais focalizados. Estamos abertos a críticas
metodológicas — escreva.
03 · Critério
Correlação versus causalidade
Dizer que o Bolsa Família reduziu o GINI porque a correlação
temporal é −0,87 não basta. Para inferir causalidade
precisamos de três coisas: mecanismo (como o
efeito ocorre), contrafactual (o que teria
acontecido sem a política), e robustez (o
resultado se mantém com especificações alternativas). Sem os
três, é correlação. O erro pós-hoc é o pecado original do
comentário macroeconômico brasileiro: depois disso, logo, por
causa disso.
Por isso a Camada Entenda explica o mecanismo de
cada número, e a Camada Mitos e contra-argumentos
enfrenta os contrafactuais — "e se fosse só commodities?", "e
se FHC já tinha começado?". Quando citamos uma estimativa
causal, identificamos a técnica empregada pelo estudo
original.
Diff-in-diff
Controle sintético
RDD
Variável instrumental
Decomposição Shapley
Painel com efeitos fixos
Para o Bolsa Família, a literatura usa principalmente
decomposição de fontes de renda (Soares 2010, IPEA) e
diff-in-diff municipal. Para o salário mínimo, modelos de
painel com elasticidade calibrada. Para formalização, RDD em
torno de mudanças regulatórias. Quando o número que citamos
vem de uma técnica específica, dizemos qual.
04 · Escolha de base
Por que PNAD Contínua e não Censo
Para tendência de desigualdade, taxa de desocupação e
rendimento médio, usamos PNAD Contínua. Para precisão
territorial em municípios pequenos, usamos o Censo
Demográfico. Cada base responde uma pergunta diferente — e
as duas são oficiais.
PNAD Contínua
trimestral · amostral
Pesquisa amostral domiciliar com cerca de 211 mil
domicílios visitados por trimestre. Permite séries
recentes e comparáveis. Boa para nível agregado nacional
e regional. Limitação: alta variância em recortes
pequenos (município, faixa etária estreita).
Censo Demográfico
decenal · universal
Coleta universal de toda a população, a cada dez anos
(último: 2022). Único instrumento com precisão para
municípios pequenos, distritos rurais e populações
específicas. Limitação: defasagem temporal, custo,
janelas longas entre edições.
Quando os dois respondem a mesma pergunta, comparamos
explicitamente. Em recortes nacionais recentes, PNAD ganha em
atualidade; em recortes territoriais finos, Censo ganha em
precisão. Onde a diferença importa, citamos as duas.
05 · Critério
O que fazemos quando dados conflitam
O Banco Mundial publica série de GINI ligeiramente diferente
do IBGE. O World Inequality Lab tem terceira metodologia. O
IPEA publica séries com ajustes próprios. Não escondemos a
divergência — ela é parte do dado.
Quando o número que publicamos é contestado por outra fonte
reputada, mostramos as duas, explicamos a metodologia de
cada uma, e justificamos por que escolhemos uma para o texto
principal. A regra: conflito declarado é jornalismo;
conflito escondido é manipulação.
06 · Compromisso
Erros que cometemos
Não somos infalíveis. Quando erramos, corrigimos
publicamente. A errata aparece nesta página, datada, com o
número antigo, o número correto e a explicação. Permanece
aqui em ordem cronológica. Nada é deletado.
Sem correções até o momento. Em breve, começarão a aparecer.
07 · Convite
Como contestar qualquer número
Cada número no site tem fonte com link primário. Se um link
estiver quebrado ou o dado parecer desatualizado, escreva
para nós. Respondemos em até sete dias e atualizamos
publicamente quando procede.
- Indique a URL da página onde o número está publicado.
- Indique o número alternativo que você considera correto.
- Anexe o link para a sua fonte (idealmente nível 1 ou 2 da hierarquia acima).
- Envie para
contato@baterecorde.org.