Brasil em números · 2025
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Base · Metodologia

Como decidimos o que publicar

Esta página explica como classificamos orientação política, como tratamos correlação versus causalidade, qual é nossa hierarquia de fontes, e o que fazemos quando dados oficiais conflitam. Nosso compromisso é que você possa contestar qualquer número e encontrar como ele foi calculado.

01 · Critério

Hierarquia de fontes

Toda informação no Bate Recorde segue uma hierarquia estrita. Quando há conflito, prevalece o nível mais alto. Quanto mais próxima da fonte primária, mais auditável é a informação — e auditabilidade é, para nós, condição de publicação.

  1. Microdados públicos — IBGE PNAD, IPEA Data, BACEN SGS, INPE TerraBrasilis. Onde possível, baixamos a tabela bruta.
  2. Publicações oficiais consolidadas — relatórios anuais de ministérios, autarquias e órgãos de controle (TCU, CGU).
  3. Estudos peer-reviewed brasileiros — IPEA Texto para Discussão, FGV/EPGE, USP/FEA, UFRJ/IE, UFMG/Cedeplar.
  4. Estudos peer-reviewed internacionais — Banco Mundial, OCDE, FMI, World Inequality Lab, NBER quando aplicável.
  5. Reportagens jornalísticas — somente quando trazem o link para o nível 1 ou 2 e nós checamos o número original.
  6. Nunca blogs sem link primário, posts em redes sociais, ou "fonte: especialista ouvido pelo Bate Recorde".
02 · Critério

Classificação de orientação política

Classificamos governos pela coalizão eleitoral e plataforma de governo, não pela filiação partidária individual do presidente. Coalizões mudam de tom; rótulos partidários, não. O critério: para onde o governo se orientou enquanto governou, à luz dos partidos que sustentaram a maioria parlamentar e da agenda implementada.

Período Presidente Classificação
1985–1990 José Sarney centro-direita
1990–1992 Fernando Collor direita
1992–1994 Itamar Franco centro
1995–2002 Fernando Henrique Cardoso centro-direita
2003–2010 Luiz Inácio Lula da Silva (1, 2) centro-esquerda
2011–2016 Dilma Rousseff (1, 2) centro-esquerda
2016–2018 Michel Temer centro-direita
2019–2022 Jair Bolsonaro direita
2023– Luiz Inácio Lula da Silva (3) centro-esquerda

Toda classificação é discutível. Lula 1 começou com agenda claramente de centro (Carta ao Povo Brasileiro, manutenção do tripé macroeconômico) e migrou para a centro-esquerda. FHC governou com coalizão ampla e implementou agenda de mercado com programas sociais focalizados. Estamos abertos a críticas metodológicas — escreva.

03 · Critério

Correlação versus causalidade

Dizer que o Bolsa Família reduziu o GINI porque a correlação temporal é −0,87 não basta. Para inferir causalidade precisamos de três coisas: mecanismo (como o efeito ocorre), contrafactual (o que teria acontecido sem a política), e robustez (o resultado se mantém com especificações alternativas). Sem os três, é correlação. O erro pós-hoc é o pecado original do comentário macroeconômico brasileiro: depois disso, logo, por causa disso.

Por isso a Camada Entenda explica o mecanismo de cada número, e a Camada Mitos e contra-argumentos enfrenta os contrafactuais — "e se fosse só commodities?", "e se FHC já tinha começado?". Quando citamos uma estimativa causal, identificamos a técnica empregada pelo estudo original.

Diff-in-diff Controle sintético RDD Variável instrumental Decomposição Shapley Painel com efeitos fixos

Para o Bolsa Família, a literatura usa principalmente decomposição de fontes de renda (Soares 2010, IPEA) e diff-in-diff municipal. Para o salário mínimo, modelos de painel com elasticidade calibrada. Para formalização, RDD em torno de mudanças regulatórias. Quando o número que citamos vem de uma técnica específica, dizemos qual.

04 · Escolha de base

Por que PNAD Contínua e não Censo

Para tendência de desigualdade, taxa de desocupação e rendimento médio, usamos PNAD Contínua. Para precisão territorial em municípios pequenos, usamos o Censo Demográfico. Cada base responde uma pergunta diferente — e as duas são oficiais.

PNAD Contínua

trimestral · amostral

Pesquisa amostral domiciliar com cerca de 211 mil domicílios visitados por trimestre. Permite séries recentes e comparáveis. Boa para nível agregado nacional e regional. Limitação: alta variância em recortes pequenos (município, faixa etária estreita).

Censo Demográfico

decenal · universal

Coleta universal de toda a população, a cada dez anos (último: 2022). Único instrumento com precisão para municípios pequenos, distritos rurais e populações específicas. Limitação: defasagem temporal, custo, janelas longas entre edições.

Quando os dois respondem a mesma pergunta, comparamos explicitamente. Em recortes nacionais recentes, PNAD ganha em atualidade; em recortes territoriais finos, Censo ganha em precisão. Onde a diferença importa, citamos as duas.

05 · Critério

O que fazemos quando dados conflitam

O Banco Mundial publica série de GINI ligeiramente diferente do IBGE. O World Inequality Lab tem terceira metodologia. O IPEA publica séries com ajustes próprios. Não escondemos a divergência — ela é parte do dado.

Quando o número que publicamos é contestado por outra fonte reputada, mostramos as duas, explicamos a metodologia de cada uma, e justificamos por que escolhemos uma para o texto principal. A regra: conflito declarado é jornalismo; conflito escondido é manipulação.

06 · Compromisso

Erros que cometemos

Não somos infalíveis. Quando erramos, corrigimos publicamente. A errata aparece nesta página, datada, com o número antigo, o número correto e a explicação. Permanece aqui em ordem cronológica. Nada é deletado.

Sem correções até o momento. Em breve, começarão a aparecer.
07 · Convite

Como contestar qualquer número

Cada número no site tem fonte com link primário. Se um link estiver quebrado ou o dado parecer desatualizado, escreva para nós. Respondemos em até sete dias e atualizamos publicamente quando procede.

  1. Indique a URL da página onde o número está publicado.
  2. Indique o número alternativo que você considera correto.
  3. Anexe o link para a sua fonte (idealmente nível 1 ou 2 da hierarquia acima).
  4. Envie para contato@baterecorde.org.