Indicador 01

Índice GINI

PNAD / PNAD CONTÍNUA · IBGE · 1981–2024

O pico se dá no fim do regime militar — 0,633 em 1989, último ano da série antes da Constituição. A queda começa no fim dos anos 1990 e acelera a partir de 2003. O recorde de 2024 confirma uma trajetória de duas décadas, com interrupção entre 2015 e 2018.

Indicador 02

Crescimento da renda real, por faixa

VARIAÇÃO % · IBGE PNAD · 2003–2024
50% mais pobres 10% mais ricos

Quando os 50% mais pobres crescem mais rápido que os 10% mais ricos, o GINI cai. Foi o que ocorreu em 2003-2014 e voltou a ocorrer em 2024 — pobres cresceram 8,5% contra 1,5% dos ricos.

Indicador 03

Famílias atendidas pelo Bolsa Família e índice GINI

MDS · IBGE · 2003–2025
Famílias atendidas (mi) Índice GINI

A correlação entre famílias atendidas pelo Bolsa Família e redução do GINI é de −0,87. Isso não prova causalidade isoladamente, mas é forte evidência de mecanismo — explicado em detalhe na trilha "Como funcionou" do Entenda.

Indicador 04

Salário mínimo real em valores de hoje

DIEESE · 1995–2025

A política de valorização do salário mínimo (2004-2016) acumulou 70% de ganho real. A partir de 2017 a regra foi suspensa; em 2023 foi restabelecida com gatilho de PIB.

Indicador 05

População em pobreza extrema

% DA POPULAÇÃO · LINHA INTERNACIONAL DO BANCO MUNDIAL · 2003–2024

A pobreza extrema caiu de 12% em 2003 para 5,9% em 2014, voltou a subir até 8,4% em 2021 e fechou 2024 em 4,4% — recorde.

O que esses cinco gráficos mostram juntos

A trajetória da desigualdade brasileira não é linear. Em 1960 o país já era um dos mais desiguais do mundo; o regime militar ampliou a concentração de renda até o pico de 1989. A redemocratização e a estabilização do Plano Real iniciaram a queda, mas foi a partir de 2003 que a curva ganhou velocidade.

Três mecanismos pesam no acumulado: transferências diretas de renda (PBF e benefícios continuados), valorização real do salário mínimo acima da inflação e formalização do mercado de trabalho. Quando os três operam juntos — como em 2003-2014 e novamente em 2023-2024 — o GINI cai de forma sustentada.

O recorde de 2024 é o ponto mais baixo já medido. A ressalva é metodológica: a série de hoje é mais sensível a transferências do que a renda do trabalho. E permanece um teto — o Brasil ainda é mais desigual do que 90% dos países com PIB per capita parecido.

Quer entender o mecanismo causal?

Vai além: contra-argumentos.